Adestrador da Polícia Civil
A declaração foi dada por um policial civil especialista em adestramento de cães para operações policiais.
Um cão pode ser empregado em diversas situações operacionais da Polícia Civil, Militar e da Guarda do Município. Ele pode ser treinado como um cão de faro, que atua na busca por narcóticos (drogas), artefatos explosivos e munições, ou ainda para ser um cão patrulheiro, que faz acompanhamento durante patrulha. Alessandro é Policial Civil e especialista em adestramento de cães. Ele disse que os animais que atuam na busca por drogas não são viciados como muita gente acredita. O policial garantiu que tudo não passa de lenda urbana e mito.
O cão possui os órgãos sensoriais extremamente apurados com 70% a mais de células olfativas do que o ser humano. O tempo de uso, ou tempo de vida útil na polícia, varia de acordo com a raça. Mas no geral, um cão de guarda ou de faro pode atingir até oito anos de atividade. “O curso que estamos iniciando também objetiva quebrar a Lenda Urbana que gira em torno do treinamento de cães de faro. Há rumores de que o cão é viciado para poder encontrar a droga, mas isso é informação errônea, um mito, uma lenda urbana que nós queremos dissolver. O cão de faro é viciado apenas em brincadeira”, disse o adestrador.
De acordo com o policial, os animais que hoje fazem parte da Polícia Civil do Amapá foram avaliados tardiamente e são de propriedade dos próprios agentes. Alessandro explica que o ideal seria comprá-lo ainda filhote, após avaliação prévia. “O cão com drive elevado é hiperativo, é brincalhão e adora uma bolinha, adora brincar. A gente só faz acoplar o odor da droga, ou de qualquer outra substância, ao brinquedo dele para que associe. Muitas vezes a gente coloca a droga toda embaladinha dentro do brinquedo, e ele brinca com aquilo desde filhote. Então sabe que o brinquedo tem aquele cheiro específico. Atualmente estamos treinando o cão para farejar aparelhos celulares dentro de cadeias. Nós trabalhamos com a bateria do celular, cujo princípio ativo é o Lítio”, explicou.
Quando o ser humano cheira uma panela de sopa, por exemplo, sente o cheiro de sopa, mas o animal não. Quando esse cheira a mesma panela, ele fareja água, sal, pimenta do reino, cebola, cenoura, batata e vários outros ingredientes da sopa. Por ele possuir o bulbo olfativo 50 vezes mais desenvolvido do que o ser humano, ele consegue farejar seletivamente. “Além de apurado, o olfato do cão também é seletivo, ou seja, você pode misturar a droga com gasolina, com café e pode ter muitos outros truques, mesmo que a princípio ocorra certa confusão, ele acaba conseguindo identificar e separar cada um dos produtos pelo odor”.
Alessandro diz que há também cães de faro especializados na busca em mata fechada, o que para a região Norte se torna extremamente importante. Ele esclarece que na área de segurança, existem cães usados no patrulhamento noturno, no acompanhamento do policial a pé, existem cães para controle de distúrbio civil e cães para invasões táticas em operações especiais, ou seja, aquele que entra junto com o grupo de policiais em situações de motim.
“O mundo todo já usa o cão há bastante tempo, e felizmente aqui no Estado do Amapá, isso já é uma realidade. No caso da Polícia Civil, a delegacia geral vai criar o Centro de Treinamento Canino da Polícia Civil (CTC). O objetivo principal é fazer o possível para conseguir dar uma força a mais para o Canil da Polícia Militar, que também é dotado de excelentes profissionais, com capacidades impressionantes de adestramento de cães. Buscamos integrar essas unidades e fazer daqui do CTC um ponto de encontro entre PM, Guarda Municipal e Polícia Civil no que concerne ao treinamento de cães de guarda.
Legenda 1: Os cães usados no patrulhamento noturno, em distúrbio civil e invasões táticas, além de buscar artefatos explosivos e narcóticos.
Legenda 2: O bulbo olfativo do cão é 50 vezes mais desenvolvido do que o ser humano, por isso ele consegue farejar seletivamente.
Legenda 3: “O cão de faro é viciado apenas em brincadeira”
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